
O choro da árvore
Watfa
Preguiçosa gota que se desmancha,
no lamber dos finos riscos da folha,
procura a terra, desenha a mancha,
desce, ensopa a raiz de sua escolha.
Outras tantas, lá no alto, na espreita
do beijo molhado que lhes umedeça,
rogam por um pingo que, desta feita,
a elas permita trunfo: `árvore cresça!
Da planta, eixo que abaixo se estende,
na surdina, generosas dádivas clama ;
e venham suprir o que se faz urgente!
Folha primeira, no orgulho se inflama,
se remete à vaidade; lhe incham pontas.
Os veios explodem no ressequir dos talos,
rugas surgem no encolher, em montas!
Pejo! Tomba inerte. Outras em abalos!
Os galhos já soluçam! Escoar de seivas...
Finas estrias apontam dos verdes as rajas
Balançam frutos, no constatar das eivas.

Negação
Watfa
Em branco, o papel,
caneta na espera.
Fugídias palavras
me raspam a língua,
voltam para o cinza
em cantos escuros.
Negação da entrega!
Muda está a folha,
cegos meus olhos.
Vazio em gritante,
no nada da poesia.

Exaustão
Watfa
Fina espessura, guarda de meus pensamentos,
esfacela-se toda nos fragilizados momentos.
Na confusão, reverte meus ontens e amanhãs.
Verazes ou ilusórias, pungentes falas malsãs
reverberam-se luzes, em vários ecos distorcidos;
desordenam, conturbam debilitados sentidos.
No fragor da quebra, espalham-se estilhaços
que, fincados na memória, nos seus espaços,
perturbam meus pensares, quebram a razão
levam-me célere ao cansaço. Triste exaustão!

Perfume
Watfa
Em côncavo, mãos postas, unidas
acolhem pétalas; rosas, margaridas!
Das rosas, sobe pelos meus braços,
perfume, que nas veias deixa traços.
Também sou flor, breves instantes;
iluminada! Riscos, faíscas brilhantes!
Olor invade,em plenitude, o rosto
deixa na língua o adocicado gosto.
Num relance me embriaga o cheiro
que invade e inebria por inteiro!
Das pétalas a aveludada maciez
roça na pele; suave carícia talvez...
